O FINO DA BOSSA
Apresentado na TV Record, O Fino da Bossa foi, em 1965, porta de entrada para cantores e compositores da MPB. Elis Regina e Jair Rodrigues comandavam os sucessos musicais da época.
JOVEM GUARDA
De setembro de 1965 a janeiro de 1969, na TV Record, em São Paulo, e na TV Rio. Wanderléia, Roberto e Erasmo Carlos eram a "Jovem Guarda", a atração que colaborou na divulgação dos ídolos do iê-iê-iê. Eles lançaram gírias, fizeram moda e deixavam a platéia histérica. Fez enorme sucesso e dominou completamente o horário da tarde, aos domingos.
FESTIVAL DA CANÇÃO POPULAR
Apresentado a partir de 1965, inicialmente nas TVs Excelsior e Record e realizados em São Paulo. Eram muito semelhantes aos programas de auditório das rádios cariocas, com fãs-clubes, faixas, coros e vaias.
FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO
Em 1966, surgia no Rio o FIC, com características diferentes dos festivais de São Paulo. Ao contrário do que acontecia em São Paulo, a força do intérprete e a participação do público já não contavam tanto. O Segundo Festival Internacional da Canção foi na TV Globo, em outubro de 1967. A música vencedora foi "Margarida" da dupla Sá e Guarabira. O festival revelou também Milton Nascimento. Ficou famosa a derrota de Geraldo Vandré, com " Para não dizer que não falei de flores", em 1968, para "Sabiá", de Tom Jobim e Chico Buarque.
FESTIVAL DOS FESTIVAIS
Estreou na TV Globo em 1985. Nova versão da Globo para os festivais da década de 60. Lançou Leila Pinheiro, Oswaldo Montenegro e Tetê Espíndola.
BAR ACADEMIA
Estreou em agosto de 1983 na Rede Manchete. Programa musical com depoimento de grandes compositores brasileiros.
SEXTA SUPER SHOW
Em 1975, esse programa semanal tentava mostrar os diferentes ritmos regionais da MPB. Apresentado por atores da TV Globo, trazia temas como "Levanta Poeira", com músicas de morro, "Saudade não tem Idade", com um revival de música italiana, "Brasil Pandeiro", que explorava as situações do cotidiano do homem brasileiro e "Alerta Geral", comandado por Alcione.
SOM BRASIL
Estreou em 1981, na TV Globo, tendo como base os ritmos e temas regionais brasileiros. Rolando Boldrin apresentava o programa.
GLOBO DE OURO
Estreou em 1972, sempre às quartas-feiras, com o objetivo de apresentar as músicas que estavam na parada de sucessos.
AMIGOS & AMIGOS
Atração musical sertaneja comandada por Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano e Leonardo. Estreou em 1999.
MUSICAIS INFANTIS
A Nave Mágica: musical infantil que aborda temas ecológicos. Fascinado por informática, o jovem Rafael decide construir um robô, que recebe o nome de " Byte-bit" . Seu corpo é uma tela de computador, a cabeça é um penico e o chapéu é um desentupidor de pia.
Casa de Brinquedo: músicas de Toquinho.
Arca de Noé 1 e 2: com músicas de Toquinho e Vinícius de Moraes, interpretadas por cantores de sucesso, como Nei Matogrosso e Elba Ramalho.
Pirlimpimpim: musical inspirado nos personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, com interpretação de Baby do Brasil como Emília, Angela Rô Rô como Cuca, Jorge Benjor como Saci, Moraes Moreira como Visconde de Sabugosa e Ivone Lara como tia Anastácia
Pluct, Plact, Zumm: um clássico entre os musicais infantis. Destaque para Jô Soares cantando "Planeta Doce" e Raul Seixas cantando " Carimbador Maluco".
domingo, 27 de julho de 2008
sexta-feira, 25 de julho de 2008
TVS: o começo do SBT
Silvio Santos começou sua trajetória de empresário de televisão com a Publicidade Silvio Santos Ltda., que foi criada em 1962 para cuidar da produção do seu recém-lançado “Programa Silvio Santos” e dos anúncios de suas empresas. Posteriormente, o negócio cresceu, passou também a atender outros clientes (anunciantes e emissoras), fez incursões no cinema (com o filme “Ninguém Segura essas Mulheres”), adquiriu os grandes estúdios da TV Excelsior na Vila Guilherme e, por tudo isso, o nome da empresa mudou para Studios Silvio Santos de Cinema e Televisão Ltda.
Foi esta nova empresa que recebeu a concessão para operar o canal 11 do Rio de Janeiro, que foi logo batizado de TVS, ou seja, TV Studios (e não TV Silvio Santos, como muitos chamam). No começo, a estrutura era pequena e suas únicas produções próprias eram o “Programa Silvio Santos” e alguns pequenos programas de cinco minutos sobre astrologia e atualidades (”Fatos & Fotos da Semana”). Pouco tempo depois, Ronald Golias, Carlos Imperial e Flávio Cavalcanti viriam-se a juntar ao time da emissora, que, com o fim da Tupi, cresceu sua cobertura geográfica, culminando com o lançamento, em 19 de agosto de 1981, do SBT - Sistema Brasileiro de Televisão.
Abaixo, você pode conferir algumas vinhetas da emissora que foram apresentadas no Rio de Janeiro durante a segunda-metade dos anos 1970.
Vinheta 1977
http://www.youtube.com/watch?v=ruMYIY68-u0
Vinheta 1979
http://www.youtube.com/watch?v=_C2YaxK6OP0
Foi esta nova empresa que recebeu a concessão para operar o canal 11 do Rio de Janeiro, que foi logo batizado de TVS, ou seja, TV Studios (e não TV Silvio Santos, como muitos chamam). No começo, a estrutura era pequena e suas únicas produções próprias eram o “Programa Silvio Santos” e alguns pequenos programas de cinco minutos sobre astrologia e atualidades (”Fatos & Fotos da Semana”). Pouco tempo depois, Ronald Golias, Carlos Imperial e Flávio Cavalcanti viriam-se a juntar ao time da emissora, que, com o fim da Tupi, cresceu sua cobertura geográfica, culminando com o lançamento, em 19 de agosto de 1981, do SBT - Sistema Brasileiro de Televisão.
Abaixo, você pode conferir algumas vinhetas da emissora que foram apresentadas no Rio de Janeiro durante a segunda-metade dos anos 1970.
Vinheta 1977
http://www.youtube.com/watch?v=ruMYIY68-u0
Vinheta 1979
http://www.youtube.com/watch?v=_C2YaxK6OP0
As sessões de cinema da Rede Globo
Você verá, nos vídeos abaixo, as aberturas de algumas das diversas sessões de cinema que já foram apresentadas pela Globo nos últimos trinta anos. Muitas delas nem existem mais (como “Sessão Comédia”, “Comédia Nacional”, “Primeira Exibição”, “Cine Clube”, “Classe A” e ”Campeões de Bilheteria”, por exemplo) ou são apresentadas somente de vez em quando (como “Sessão de Gala”).
Aberturas raríssimas dos anos 1970
http://br.youtube.com/watch?v=ViYwVFJGnZI
Aberturas dos anos 1990
http://www.youtube.com/watch?v=0SzrFlrxv80
Aberturas raríssimas dos anos 1970
http://br.youtube.com/watch?v=ViYwVFJGnZI
Aberturas dos anos 1990
http://www.youtube.com/watch?v=0SzrFlrxv80
TV Excelsior
Dez anos de criatividade que resultaram no desenvolvimento da televisão brasileira. Assim podemos definir a trajetória da TV Excelsior, Canal 9 de São Paulo. Mas, como tudo começou? E como tudo acabou?
O Início
Estamos em 1959 e a Organização Victor Costa - que já possuía a TV Paulista Canal 5 - ganha um novo canal de televisão. Naquela época era comum um mesmo dono ter mais de uma emissora. Antes mesmo de inaugurá-la, Mário Wallace Simonsen manifesta interesse em comprar os direitos sobre o novo canal. A família Simonsen era poderosa, possuía mais de 40 empresas (uma delas a aérea Panair) e estavam ansiosos por colocar no ar a TV Excelsior (nome este que veio da emissora de rádio, hoje a conhecida CBN). Os valores da venda são desencontrados, mas é sabido que a cifra foi a mais alta até então registrada.
A emissora instalou-se nos dois últimos andares de um prédio localizado na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, na capital Paulista. A área ficou reservada para guarda de equipamentos, telecine e um pequeno estúdio. Por questões de recepção de imagem, sua antena ficava no alto desse edifício, logo acima dos andares ocupados. Existia ainda um espaço reservado na Rua Frei Caneca, onde ficavam a parte administrativa, diretoria e expediente.
A inauguração da TV Excelsior de São Paulo ocorreu no dia 9 de Julho de 1960, no Teatro Paulo Eiró, Avenida Adolfo Pinheiro, 915, Santo Amaro. Uma intenção - nunca concretizada - foi a de construir um estúdio em frente a tal teatro.
A programação de inauguração ficou assim disposta:
18h00 - Introdução com a Banda da Força Pública de São Paulo1
8h30 - Cerimônia Oficial de lançamento do novo prefixo
19h00 - Show Artístico com os maiores cartazes nacionais
21h00 - Ballet do Teatro Municipal de São Paulo
21h30 - Concerto Sinfônico com 60 professores interpretando compositores brasileiros
Consta que o evento foi muito tumultuado, já que as condições do teatro eram insuficientes. Era necessário buscar uma alternativa. Foi quando o Teatro Cultura Artística, na Rua Nestor Pestana, centro de São Paulo, passava por uma crise financeira e surgiu como opção. A emissora achou por bem alugá-lo, passando a possuir um auditório de peso para produzir diversos programas.
O primeiro grande show pensado para a TV Excelsior foi o "Brasil 60". Manoel Carlos, que na época era assistente, sugeriu um programa de variedades onde se falasse de música popular brasileira, teatro, literatura, futebol e cinema. Maneco (como assim o chamavam) foi elevado a categoria de produtor e o diretor Álvaro de Moya sugeriu Bibi Ferreira para comandar a atração.
Bibi aceitou o convite pensando tratar-se de uma única apresentação (na época ela encenava uma peça num teatro do Rio de Janeiro). Após a conclusão do show, que contou com a presença de Oscarito, Grande Otelo e Mazzaroppi, estabeleceu-se que "Brasil 60" deveria ser apresentado todos os domingos, das 20h30 às 22h00. A direção da Excelsior foi então para o Rio de Janeiro e acertou com Bibi as condições de seu contrato.
Quando a TV Excelsior completou seis meses de atividades, seu faturamento já cobria as despesas. Sua programação tinha nível elevado, estando calcada em programas de variedades, peças de teatro, jornalismo e filmes selecionados. Faziam sucesso programas como o "Simonetti Show" (inicialmente dirigido por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho - o Boni - e depois por Jô Soares) e atrações que abriam as portas para a Bossa Nova (com Tom Jobim, Vinicius de Morais e João Gilberto).
A meta, no entanto, era conquistar o topo da audiência. Com esse objetivo, em 1963, a emissora contratou Edson Leite para cuidar da direção artística e Alberto Saad para responder pela direção administrativa. E a partir daí o perfil da emissora jamais seria o mesmo.
A Rede
A Rede Excelsior surgiu logo depois da implantação do canal 9 de São Paulo, a partir da compra de uma emissora no Rio de Janeiro, antiga concessão da Rádio Mayrink Veiga. Vale dizer que somente esses dois canais eram 100% de propriedade da Excelsior. Os que se seguiram foram composições feitas com os proprietários da época. Assim ocorreu com a TV Gaúcha de Porto Alegre (do grupo Sirotski, onde a Excelsior detinha 50%), TV Vila Rica (do Banco Real, onde a Excelsior detinha 33%) e TV do Paraná (onde foi feita uma associação com o Grupo Martinez). Além disso, foram fechados acordos para retransmissão de programas para cidades de outros Estados, como Uberlândia, Cuiabá, Brasília, além de Recife (através da TV Jornal do Comércio).
Surgida numa época onde a transmissão via satélite ainda não existia, mas contando com o recurso do video-tape, a Excelsior ousou ao implantar o conceito de rede, tendo as fitas transportadas de cidade para cidade. Em assim sendo, o programa que era visto na segunda-feira em São Paulo, poderia ser visto na quarta-feira no Rio de Janeiro e na sexta-feira em Porto Alegre. Isso fazia com que uma mesma produção recebesse a receita publicitária de diferentes praças.
O Apogeu
A diferença entre a TV Excelsior e as demais emissoras era a presença de executivos cuidando da emissora. Em assim sendo, os intervalos passaram a ter tempo delimitado de no máximo cinco minutos (algumas estações na época chegavam a alcançar 20 minutos, pois esse era o tempo que precisavam para troca de cenários e figurinos). Os programas passavam a começar realmente no horário estabelecido, antecedidos pelo top de oito segundos. Foi estabelecida a chamada "programação horizontal", ou seja, atrações fixas todos os dias nos mesmos horários. As roupas eram fornecidas pela emissora (antes astros e estrelas tinham de trazer as roupas de sua própria residência). E foi desenvolvida uma entidade, uma logomarca (um menino e uma menina).
Pode-se afirmar, com toda certeza, que o apogeu da emissora concentrou-se nos anos de 1963/64. Foi nesse período que a TV Excelsior:
Produziu a primeira telenovela diária da tevê brasileira;
Realizou um show ao vivo no Parque Ibirapuera em São Paulo, transmitido em cores (28/06/63);
Passou a investir "pesado" em séries de tevê;
Sob direção de Carlos Manga, lançou o musical "Times Square", que revolucionou o gênero;
Inovou ao transmitir futebol ao vivo (segundo depoimento do falecido jornalista Peirão de Castro);
Foi a primeira a transmitir uma partida de futebol utilizando cinco câmeras;
Inventou o telejornal "encaixotado" entre duas novelas (a exemplo do que a TV Globo fez depois com o "Jornal Nacional" - "encaixotado" entre as novelas das 7h e 8h);
Revelou um grande elenco de profissionais, muitos na ativa até hoje, trabalhando na televisão;
Conseqüência: líder de audiência. Para que se tenha uma idéia, o programa "Moacir Franco Show" atingia, em 1963, o índice de 77% de audiência em São Paulo e 97% na cidade de Santos. Tal fato obviamente incomodava a concorrência.
A TV Excelsior não era tida pelos demais canais como uma concorrente, mas sim como uma inimiga, dada sua agressividade comercial. Executivos saíam de São Paulo para o Rio de Janeiro com a intenção de comprar (por muito mais do que ganhavam) artistas de outras emissoras. Conta-se que num único dia, no ano de 1963, um desses executivos contratou quase todos os artistas da TV Rio, com exceção dos humoristas Ronald Golias, Manuel de Nóbrega e Carlos Alberto de Nóbrega, do elenco da "Praça da Alegria".
A atriz Glória Menezes, por exemplo, foi para a Excelsior ganhando cinco vezes mais em relação ao seu salário na TV Tupi. Márcia Real foi outra atriz que saiu da TV Tupi para trabalhar na Excelsior. Seu caso foi mais rumoroso: foi ganhando 10 vezes mais! Anos depois, declarou: "Se os atores hoje ganham o que ganham, devem isso ao Canal 9, TV Excelsior".
Vários cartazes eram instalados em São Paulo com um artista que acabava de ser contratado, com o seguinte slogan: "Eu também estou na Excelsior". Na imprensa, eram muitas as notícias de contratações milionárias e sobre como a emissora estaria inflacionando o mercado televisivo.
Entre 1963/64 a TV Excelsior passou a ter:
Um elenco teatral duas vezes maior que o da TV Tupi
Um elenco de humor três vezes maior que o da TV Paulista
... e o maior número de séries de tevê
Publicava-se na imprensa até a possibilidade da emissora passar a funcionar 24 horas por dia, tal o número de contratados que detinha...
O Golpe
O fato de investir pesado e de forma arrojada fez com que a Excelsior alavancasse dívidas. Todas elas poderiam ser pagas com o crescimento da emissora, que apoiava o então governo civil liderado por João Goulart (após a renúncia de Jânio Quadros em 1961). Tinha ainda a simpatia do então governador de São Paulo, Ademar de Barros, tendo obtido dessa forma uma vasta linha de crédito no Banespa.
Mas eis que em 1964 o golpe militar fez com que todo esse sonho começasse a desmoronar. O motivo: a família Simonsen era opositora ao regime que se instalava e a Excelsior passou a ser vigiada, ficando sem prazos e sem recursos para o fluxo de seus pagamentos. Consta que a emissora sofreu até intervenção do governador carioca Carlos Lacerda, inimigo declarado de Simonsen.
Com as empresas do grupo passando por inúmeras dificuldades, Mário Wallace Simonsen viajou para a França. Em Fevereiro de 1965 veio a falecer, aos 56 anos, em decorrência de um enfarte. A Excelsior estava então nas mãos de seu filho, Mário Wallace Simonsen Neto. Wallinho - como o chamavam - era jovem, inexperiente e completamente despreparado para o mundo dos negócios.
Novelas
Apesar das dificuldades, a Excelsior era líder de audiência em vários horários e tinha nas telenovelas o seu ponto mais forte. Em 1963, a emissora produziu a primeira novela brasileira transmitida diariamente. Era "2-5499 Ocupado", autoria de Alberto Migré, estrelada por Tarcísio Meira e Glória Menezes. Suas gravações ocorreram nas ruas de São Paulo e também na Casa de Detenção do Estado.
A primeira grande novela com sucesso de audiência, no entanto, foi "Ambição (1964). A atriz Arlete Montenegro fazia a vilã da trama e quase foi agredida, em diversas oportunidades, por telespectadores inconformados com o caráter de sua personagem. O casamento que coroava o final da trama foi gravado na Igreja da Consolação em São Paulo, o que causou tumulto no trânsito e vários objetos quebrados dentro do recinto.
A Excelsior fez da telenovela uma indústria mas não tinha onde gravá-las. O único recurso era o palco do Teatro Cultura Artística, que só podia ser usado para esse fim pela madrugada adentro. Em 1964, a emissora conseguiu arrendar os estúdios da Cia. Cinematográfica Vera Cruz, na cidade de São Bernardo do Campo (SP), onde chegou a gravar quatro novelas diferentes ao mesmo tempo.
Fazem parte deste ciclo, sucessos como "A Moça que Veio de Longe" (1964, com Rosamaria Murtinho e Hélio Souto), "A Deusa Vencida" (1965, estréia de Regina Duarte, ao lado de Tarcísio Meira, Glória Menezes e Edson França), "A Grande Viagem" (1965/66, com Daniel Filho e Regina Duarte) e "Almas de Pedra" (1966, com Tarcísio Meira, Glória Menezes, Francisco Cuoco e Suzana Vieira).
A glória máxima desse período foi "Redenção", a novela mais longa da história da tevê, com quase 600 capítulos, entre 1966/68. Foi a primeira a possuir uma cidade cenográfica, com estação ferroviária e trem rodando por ao menos 100 metros. O casal central da trama era vivido por Francisco Cuoco e Miriam Mehler (alguns sites divulgam erroneamente que o par de Cuoco na novela era Regina Duarte). Foi em "Redenção" que o público demonstrou o quanto poderia interferir no desenvolvimento de uma trama. Tudo porque o personagem de Aparecida Baxter - a fofoqueira Dona Maroca - deveria morrer. A Excelsior recebeu tantas cartas contrárias que o personagem de Cuoco - Dr. Fernando - fez um transplante de coração, salvando-a. Foi o primeiro transplante realizado em telenovela, numa época em que isso não era feito nem na vida real...
Em agosto de 1967 foram inaugurados os estúdios no bairro da Vila Guilherme em São Paulo. O novo espaço fora projetado para 12 estúdios, espaço para cidades cenográficas, cerca de 500 salas de escritórios, dois restaurantes, ambulatório, oficina mecânica, marcenaria e depósito. A área era isolada e de difícil acesso, além de ser insalubre pelo fato de estar localizada próxima a um depósito de lixo da Prefeitura Municipal. Logo após a inauguração, o local foi vítima de um incêndio.
Ainda assim, as novelas de sucesso prosseguiam com "As Minas de Prata" (1966/67, com Carlos Zara e Regina Duarte), "O Morro dos Ventos Uivantes" (1967, com Altair Lima e Irina Greco), "O Tempo e o Vento" (1967/68, com Carlos Zara e Georgia Gomide) e Legião dos Esquecidos (1968/69, com Francisco Cuoco e Regina Duarte).
Vale dizer que a novela "A Muralha" talvez tenha sido a última grande produção da emissora. Produzida em 1968/69, dava 35% de audiência, tendo conseguido alto nível de direção e interpretação, com um elenco estelar formado por Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Paulo Goulart, Stênio Garcia, Nicete Bruno, Cláudio Corrêa e Castro, Mauro Mendonça e outros. Na ocasião, o ator Larry Hagman (da série Jeannie é um Gênio) visitava o Brasil e ficou espantado com os cenários. Perguntou se estavam produzindo um filme para ser vendido no mercado internacional e ficou inconformado ao saber que aquilo estava sendo feito apenas para uma telenovela. O ator teria dito que todo aquele aparato era caro demais e que não se pagaria da forma como estava sendo feito.
Logo depois vieram outros campeões de audiência como "A Pequena Órfã" (1968/69, com Dionízio Azevedo e Patrícia Aires), "Sangue do Meu Sangue" (1969/70, com Francisco Cuoco, Nicete Bruno, Fernanda Montenegro e Tônia Carrero) e "A Menina do Veleiro Azul" (1969/70, com Maria Izabel de Lizandra e Edson França).
A telenovela "Dez Vidas" (1969/70) foi a última que a emissora conseguiu concluir. Suas externas foram gravadas na cidade de Santana de Parnaíba (SP), com o saudoso Carlos Zara no papel de Tiradentes.
A Crise
Enquanto a Excelsior se consolidava como a melhor emissora produtora de telenovelas, sobravam dívidas referentes a grande arrancada de 1963, quando promoveu inúmeras contratações: compra de séries, equipamentos para transmissão colorida, instalações etc.
Em 1965 houve uma tentativa de transformar a estação numa fundação. Outra alternativa era ter-se transformado numa emissora do governo estadual. Nada deu certo e, sob pressão, Wallinho Simonsen passou o controle acionário da emissora para Edson Leite, Alberto Saad, Otávio Frias e Carlos Caldeira (estes dois últimos sócios do grupo Folha de SP).
Nesse mesmo ano, com o surgimento da Rede Globo de Televisão, vários profissionais da área de humor passaram a migrar para a nova emissora. Mantendo as telenovelas como principal atração, a Excelsior promoveu, sob o comando de Solano Ribeiro, o "I Festival de Música Popular Brasileira", cuja vencedora foi a cantora Elis Regina, com a música "Arrastão", autoria de Edú Lobo.
Vislumbrando o potencial de tal filão de mercado, a TV Record passou a investir pesado em programas musicais, contratando em 1966 todos os grandes valores da música brasileira.
Na Excelsior, a situação só piorava. A ordem do dia era conter despesas e reduzir ganhos. Consta que a comediante Dercy Gonçalves foi embora da emissora por não concordar com a redução que lhe fora proposta.
Os problemas se avolumavam e já em 1966 a emissora chegou a atrasar em dois meses o pagamento de seus funcionários. Durante os anos de 1967/68, a Excelsior tentou trazer alguns artistas de volta, mas não obteve sucesso, já que eles retornavam, ficavam por um tempo e depois iam embora novamente (como nos casos de Chico Anísio e Bibi Ferreira).
A Falência
A partir de 1969 instaurou-se o processo de falência da TV Excelsior. Haviam saído Edson Leite e Alberto Saad e os acionários do grupo Folha de SP, numa manobra inacreditável, devolveram para Wallinho Simonsen a concessão da rede com todos os equipamentos, todas a dívidas, mas sem os imóveis! Inacreditável... pegar de volta uma empresa com dívidas até o pescoço e quase sem condições de operar...
Mesmo sem restringir a qualidade do que era exibido, a Excelsior foi em frente. No final de 1969, a programação iniciava às 11h30. Todo seu horário vespertino era preenchido com desenhos, séries e filmes já antigos. A partir de 1970, ninguém sabia o que a emissora ia exibir até as 19h00, horário em que entrava no ar a telenovela "A Menina do Veleiro Azul".
Em março de 1970, Wallinho Simonsen vendeu a Excelsior para Dorival Masci de Abreu, na época dono da Rádio Marconi de São Paulo. O jornalista Ferreira Neto (que havia trabalhado na emissora em 1967) recebeu nessa ocasião o cargo de superintendente. Tempos depois soube-se que Abreu tinha processos por dívidas e inúmeros títulos protestados. Wallinho foi detido pela Polícia Federal, após descobrir-se que a verdadeira compradora da TV Excelsior era a mulher de Abreu, Terezinha. A Justiça Federal determinou então que o negócio fosse desfeito. Nesse meio tempo, um colegiado de funcionários da emissora decidiu que Ferreira Neto e Gonzaga Blota fossem colocados como chefes operacionais da rede.
Em abril de 1970 a Excelsior recebeu uma ação de despejo referente aos aluguéis em atraso do Teatro Cultura Artística. Nesse mesmo mês, foi lançada a Campanha da Esperança. Durante 24 horas os funcionários apelavam aos telespectadores e - principalmente - aos credores, para que os auxiliassem. Artistas de outras emissoras passaram a fazer shows beneficentes. Estima-se que a dívida da Excelsior era então da ordem de 10 milhões de dólares. O final da empresa deixaria naquela altura 400 funcionários desempregados.
Em julho de 1970 ocorreu um incêndio que dizimou três dos quatro estúdios da Vila Guilherme. A situação era cada vez pior: dívidas acumuladas, salários vencidos, perdas na justiça do trabalho, aluguéis atrasados, dívidas com distribuidoras de filmes e vários outros credores. O jornalista Ferreira Neto tomou por iniciativa conversar com o então Presidente da República Emílio G. Médici. Explicou-lhe que a Excelsior pretendia negociar uma grande área de terreno na cidade de Campos de Jordão (SP). A idéia era vender metade da área, realizar ali uma grande telenovela e vender a outra metade com a supervalorização que a novela daria para o local. Médici ficou de pensar a respeito mas nunca deu uma resposta. Ao invés disso, passados dois meses, em 28 de setembro de 1970, cassou a concessão de funcionamento das emissoras da rede. Tanto em São Paulo, como no Rio de Janeiro, a programação continuou por mais dois dias, até que funcionários do Ministério das Comunicações foram promover a retirada do cristal responsável pelas transmissões.
No dia 1 de outubro de 1970, durante o programa cômico "Adélia e suas Trapalhadas", o jornalista Ferreira Neto invadiu os estúdios às 18h40 para anunciar que, por ordem do Governo Federal, o canal 9 paulistano estava encerrando definitivamente suas atividades. Em 15 de outubro de 1970 foi decretada a falência fraudulenta da TV Excelsior.
Conclusão
Uma empresa nunca acaba por um único motivo. Na verdade, um conjunto de fatores levam uma empresa a desaparecer. No caso da Excelsior, esses fatores foram políticos, administrativos, financeiros, dentre outros. Fica evidente que a emissora tinha mentalidade criativa de sobra. Mas faltou, sobretudo, mentalidade administrativa. A diretoria mudou várias vezes, o custo de tudo era sempre muito alto e a despesa era sempre maior que a receita.
O processo de falência da Excelsior possui mais de 2 mil páginas e aponta Mário Wallace Simonsen Neto como o responsável pelo episódio. Wallinho faleceu em 2001 e pouca coisa foi resolvida. Muita gente nada recebeu até hoje. Após a cassação do canal, seus equipamentos simplesmente desapareceram. Há quem diga que muito material da Excelsior teria sido levado para a TV Gazeta de São Paulo, que na época iniciava suas atividades. Algumas publicações dizem que um caminhão de externas dessa emissora teve a logomarca raspada e - embaixo dela - apareceu a da Excelsior.
Segundo o ator Gianfrancesco Guarnieri, a TV Excelsior fez da televisão uma indústria cultural, valorizou o profissional de televisão, investiu na industrialização de telenovelas, abriu espaço para o autor brasileiro e serviu de enorme know-how para o que a Rede Globo é hoje.
Na verdade, a Globo ocupa hoje o primeiro lugar porque deu continuidade - praticamente com as mesmas pessoas - ao modelo implantado pela Excelsior. O que mais podemos dizer de uma emissora que tinha em seu time de profissionais gente jovem e com talento? Gente como Boni, Gonzaga Blota, Daniel Filho... e tantos outros.
O Início
Estamos em 1959 e a Organização Victor Costa - que já possuía a TV Paulista Canal 5 - ganha um novo canal de televisão. Naquela época era comum um mesmo dono ter mais de uma emissora. Antes mesmo de inaugurá-la, Mário Wallace Simonsen manifesta interesse em comprar os direitos sobre o novo canal. A família Simonsen era poderosa, possuía mais de 40 empresas (uma delas a aérea Panair) e estavam ansiosos por colocar no ar a TV Excelsior (nome este que veio da emissora de rádio, hoje a conhecida CBN). Os valores da venda são desencontrados, mas é sabido que a cifra foi a mais alta até então registrada.
A emissora instalou-se nos dois últimos andares de um prédio localizado na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, na capital Paulista. A área ficou reservada para guarda de equipamentos, telecine e um pequeno estúdio. Por questões de recepção de imagem, sua antena ficava no alto desse edifício, logo acima dos andares ocupados. Existia ainda um espaço reservado na Rua Frei Caneca, onde ficavam a parte administrativa, diretoria e expediente.
A inauguração da TV Excelsior de São Paulo ocorreu no dia 9 de Julho de 1960, no Teatro Paulo Eiró, Avenida Adolfo Pinheiro, 915, Santo Amaro. Uma intenção - nunca concretizada - foi a de construir um estúdio em frente a tal teatro.
A programação de inauguração ficou assim disposta:
18h00 - Introdução com a Banda da Força Pública de São Paulo1
8h30 - Cerimônia Oficial de lançamento do novo prefixo
19h00 - Show Artístico com os maiores cartazes nacionais
21h00 - Ballet do Teatro Municipal de São Paulo
21h30 - Concerto Sinfônico com 60 professores interpretando compositores brasileiros
Consta que o evento foi muito tumultuado, já que as condições do teatro eram insuficientes. Era necessário buscar uma alternativa. Foi quando o Teatro Cultura Artística, na Rua Nestor Pestana, centro de São Paulo, passava por uma crise financeira e surgiu como opção. A emissora achou por bem alugá-lo, passando a possuir um auditório de peso para produzir diversos programas.
O primeiro grande show pensado para a TV Excelsior foi o "Brasil 60". Manoel Carlos, que na época era assistente, sugeriu um programa de variedades onde se falasse de música popular brasileira, teatro, literatura, futebol e cinema. Maneco (como assim o chamavam) foi elevado a categoria de produtor e o diretor Álvaro de Moya sugeriu Bibi Ferreira para comandar a atração.
Bibi aceitou o convite pensando tratar-se de uma única apresentação (na época ela encenava uma peça num teatro do Rio de Janeiro). Após a conclusão do show, que contou com a presença de Oscarito, Grande Otelo e Mazzaroppi, estabeleceu-se que "Brasil 60" deveria ser apresentado todos os domingos, das 20h30 às 22h00. A direção da Excelsior foi então para o Rio de Janeiro e acertou com Bibi as condições de seu contrato.
Quando a TV Excelsior completou seis meses de atividades, seu faturamento já cobria as despesas. Sua programação tinha nível elevado, estando calcada em programas de variedades, peças de teatro, jornalismo e filmes selecionados. Faziam sucesso programas como o "Simonetti Show" (inicialmente dirigido por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho - o Boni - e depois por Jô Soares) e atrações que abriam as portas para a Bossa Nova (com Tom Jobim, Vinicius de Morais e João Gilberto).
A meta, no entanto, era conquistar o topo da audiência. Com esse objetivo, em 1963, a emissora contratou Edson Leite para cuidar da direção artística e Alberto Saad para responder pela direção administrativa. E a partir daí o perfil da emissora jamais seria o mesmo.
A Rede
A Rede Excelsior surgiu logo depois da implantação do canal 9 de São Paulo, a partir da compra de uma emissora no Rio de Janeiro, antiga concessão da Rádio Mayrink Veiga. Vale dizer que somente esses dois canais eram 100% de propriedade da Excelsior. Os que se seguiram foram composições feitas com os proprietários da época. Assim ocorreu com a TV Gaúcha de Porto Alegre (do grupo Sirotski, onde a Excelsior detinha 50%), TV Vila Rica (do Banco Real, onde a Excelsior detinha 33%) e TV do Paraná (onde foi feita uma associação com o Grupo Martinez). Além disso, foram fechados acordos para retransmissão de programas para cidades de outros Estados, como Uberlândia, Cuiabá, Brasília, além de Recife (através da TV Jornal do Comércio).
Surgida numa época onde a transmissão via satélite ainda não existia, mas contando com o recurso do video-tape, a Excelsior ousou ao implantar o conceito de rede, tendo as fitas transportadas de cidade para cidade. Em assim sendo, o programa que era visto na segunda-feira em São Paulo, poderia ser visto na quarta-feira no Rio de Janeiro e na sexta-feira em Porto Alegre. Isso fazia com que uma mesma produção recebesse a receita publicitária de diferentes praças.
O Apogeu
A diferença entre a TV Excelsior e as demais emissoras era a presença de executivos cuidando da emissora. Em assim sendo, os intervalos passaram a ter tempo delimitado de no máximo cinco minutos (algumas estações na época chegavam a alcançar 20 minutos, pois esse era o tempo que precisavam para troca de cenários e figurinos). Os programas passavam a começar realmente no horário estabelecido, antecedidos pelo top de oito segundos. Foi estabelecida a chamada "programação horizontal", ou seja, atrações fixas todos os dias nos mesmos horários. As roupas eram fornecidas pela emissora (antes astros e estrelas tinham de trazer as roupas de sua própria residência). E foi desenvolvida uma entidade, uma logomarca (um menino e uma menina).
Pode-se afirmar, com toda certeza, que o apogeu da emissora concentrou-se nos anos de 1963/64. Foi nesse período que a TV Excelsior:
Produziu a primeira telenovela diária da tevê brasileira;
Realizou um show ao vivo no Parque Ibirapuera em São Paulo, transmitido em cores (28/06/63);
Passou a investir "pesado" em séries de tevê;
Sob direção de Carlos Manga, lançou o musical "Times Square", que revolucionou o gênero;
Inovou ao transmitir futebol ao vivo (segundo depoimento do falecido jornalista Peirão de Castro);
Foi a primeira a transmitir uma partida de futebol utilizando cinco câmeras;
Inventou o telejornal "encaixotado" entre duas novelas (a exemplo do que a TV Globo fez depois com o "Jornal Nacional" - "encaixotado" entre as novelas das 7h e 8h);
Revelou um grande elenco de profissionais, muitos na ativa até hoje, trabalhando na televisão;
Conseqüência: líder de audiência. Para que se tenha uma idéia, o programa "Moacir Franco Show" atingia, em 1963, o índice de 77% de audiência em São Paulo e 97% na cidade de Santos. Tal fato obviamente incomodava a concorrência.
A TV Excelsior não era tida pelos demais canais como uma concorrente, mas sim como uma inimiga, dada sua agressividade comercial. Executivos saíam de São Paulo para o Rio de Janeiro com a intenção de comprar (por muito mais do que ganhavam) artistas de outras emissoras. Conta-se que num único dia, no ano de 1963, um desses executivos contratou quase todos os artistas da TV Rio, com exceção dos humoristas Ronald Golias, Manuel de Nóbrega e Carlos Alberto de Nóbrega, do elenco da "Praça da Alegria".
A atriz Glória Menezes, por exemplo, foi para a Excelsior ganhando cinco vezes mais em relação ao seu salário na TV Tupi. Márcia Real foi outra atriz que saiu da TV Tupi para trabalhar na Excelsior. Seu caso foi mais rumoroso: foi ganhando 10 vezes mais! Anos depois, declarou: "Se os atores hoje ganham o que ganham, devem isso ao Canal 9, TV Excelsior".
Vários cartazes eram instalados em São Paulo com um artista que acabava de ser contratado, com o seguinte slogan: "Eu também estou na Excelsior". Na imprensa, eram muitas as notícias de contratações milionárias e sobre como a emissora estaria inflacionando o mercado televisivo.
Entre 1963/64 a TV Excelsior passou a ter:
Um elenco teatral duas vezes maior que o da TV Tupi
Um elenco de humor três vezes maior que o da TV Paulista
... e o maior número de séries de tevê
Publicava-se na imprensa até a possibilidade da emissora passar a funcionar 24 horas por dia, tal o número de contratados que detinha...
O Golpe
O fato de investir pesado e de forma arrojada fez com que a Excelsior alavancasse dívidas. Todas elas poderiam ser pagas com o crescimento da emissora, que apoiava o então governo civil liderado por João Goulart (após a renúncia de Jânio Quadros em 1961). Tinha ainda a simpatia do então governador de São Paulo, Ademar de Barros, tendo obtido dessa forma uma vasta linha de crédito no Banespa.
Mas eis que em 1964 o golpe militar fez com que todo esse sonho começasse a desmoronar. O motivo: a família Simonsen era opositora ao regime que se instalava e a Excelsior passou a ser vigiada, ficando sem prazos e sem recursos para o fluxo de seus pagamentos. Consta que a emissora sofreu até intervenção do governador carioca Carlos Lacerda, inimigo declarado de Simonsen.
Com as empresas do grupo passando por inúmeras dificuldades, Mário Wallace Simonsen viajou para a França. Em Fevereiro de 1965 veio a falecer, aos 56 anos, em decorrência de um enfarte. A Excelsior estava então nas mãos de seu filho, Mário Wallace Simonsen Neto. Wallinho - como o chamavam - era jovem, inexperiente e completamente despreparado para o mundo dos negócios.
Novelas
Apesar das dificuldades, a Excelsior era líder de audiência em vários horários e tinha nas telenovelas o seu ponto mais forte. Em 1963, a emissora produziu a primeira novela brasileira transmitida diariamente. Era "2-5499 Ocupado", autoria de Alberto Migré, estrelada por Tarcísio Meira e Glória Menezes. Suas gravações ocorreram nas ruas de São Paulo e também na Casa de Detenção do Estado.
A primeira grande novela com sucesso de audiência, no entanto, foi "Ambição (1964). A atriz Arlete Montenegro fazia a vilã da trama e quase foi agredida, em diversas oportunidades, por telespectadores inconformados com o caráter de sua personagem. O casamento que coroava o final da trama foi gravado na Igreja da Consolação em São Paulo, o que causou tumulto no trânsito e vários objetos quebrados dentro do recinto.
A Excelsior fez da telenovela uma indústria mas não tinha onde gravá-las. O único recurso era o palco do Teatro Cultura Artística, que só podia ser usado para esse fim pela madrugada adentro. Em 1964, a emissora conseguiu arrendar os estúdios da Cia. Cinematográfica Vera Cruz, na cidade de São Bernardo do Campo (SP), onde chegou a gravar quatro novelas diferentes ao mesmo tempo.
Fazem parte deste ciclo, sucessos como "A Moça que Veio de Longe" (1964, com Rosamaria Murtinho e Hélio Souto), "A Deusa Vencida" (1965, estréia de Regina Duarte, ao lado de Tarcísio Meira, Glória Menezes e Edson França), "A Grande Viagem" (1965/66, com Daniel Filho e Regina Duarte) e "Almas de Pedra" (1966, com Tarcísio Meira, Glória Menezes, Francisco Cuoco e Suzana Vieira).
A glória máxima desse período foi "Redenção", a novela mais longa da história da tevê, com quase 600 capítulos, entre 1966/68. Foi a primeira a possuir uma cidade cenográfica, com estação ferroviária e trem rodando por ao menos 100 metros. O casal central da trama era vivido por Francisco Cuoco e Miriam Mehler (alguns sites divulgam erroneamente que o par de Cuoco na novela era Regina Duarte). Foi em "Redenção" que o público demonstrou o quanto poderia interferir no desenvolvimento de uma trama. Tudo porque o personagem de Aparecida Baxter - a fofoqueira Dona Maroca - deveria morrer. A Excelsior recebeu tantas cartas contrárias que o personagem de Cuoco - Dr. Fernando - fez um transplante de coração, salvando-a. Foi o primeiro transplante realizado em telenovela, numa época em que isso não era feito nem na vida real...
Em agosto de 1967 foram inaugurados os estúdios no bairro da Vila Guilherme em São Paulo. O novo espaço fora projetado para 12 estúdios, espaço para cidades cenográficas, cerca de 500 salas de escritórios, dois restaurantes, ambulatório, oficina mecânica, marcenaria e depósito. A área era isolada e de difícil acesso, além de ser insalubre pelo fato de estar localizada próxima a um depósito de lixo da Prefeitura Municipal. Logo após a inauguração, o local foi vítima de um incêndio.
Ainda assim, as novelas de sucesso prosseguiam com "As Minas de Prata" (1966/67, com Carlos Zara e Regina Duarte), "O Morro dos Ventos Uivantes" (1967, com Altair Lima e Irina Greco), "O Tempo e o Vento" (1967/68, com Carlos Zara e Georgia Gomide) e Legião dos Esquecidos (1968/69, com Francisco Cuoco e Regina Duarte).
Vale dizer que a novela "A Muralha" talvez tenha sido a última grande produção da emissora. Produzida em 1968/69, dava 35% de audiência, tendo conseguido alto nível de direção e interpretação, com um elenco estelar formado por Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Paulo Goulart, Stênio Garcia, Nicete Bruno, Cláudio Corrêa e Castro, Mauro Mendonça e outros. Na ocasião, o ator Larry Hagman (da série Jeannie é um Gênio) visitava o Brasil e ficou espantado com os cenários. Perguntou se estavam produzindo um filme para ser vendido no mercado internacional e ficou inconformado ao saber que aquilo estava sendo feito apenas para uma telenovela. O ator teria dito que todo aquele aparato era caro demais e que não se pagaria da forma como estava sendo feito.
Logo depois vieram outros campeões de audiência como "A Pequena Órfã" (1968/69, com Dionízio Azevedo e Patrícia Aires), "Sangue do Meu Sangue" (1969/70, com Francisco Cuoco, Nicete Bruno, Fernanda Montenegro e Tônia Carrero) e "A Menina do Veleiro Azul" (1969/70, com Maria Izabel de Lizandra e Edson França).
A telenovela "Dez Vidas" (1969/70) foi a última que a emissora conseguiu concluir. Suas externas foram gravadas na cidade de Santana de Parnaíba (SP), com o saudoso Carlos Zara no papel de Tiradentes.
A Crise
Enquanto a Excelsior se consolidava como a melhor emissora produtora de telenovelas, sobravam dívidas referentes a grande arrancada de 1963, quando promoveu inúmeras contratações: compra de séries, equipamentos para transmissão colorida, instalações etc.
Em 1965 houve uma tentativa de transformar a estação numa fundação. Outra alternativa era ter-se transformado numa emissora do governo estadual. Nada deu certo e, sob pressão, Wallinho Simonsen passou o controle acionário da emissora para Edson Leite, Alberto Saad, Otávio Frias e Carlos Caldeira (estes dois últimos sócios do grupo Folha de SP).
Nesse mesmo ano, com o surgimento da Rede Globo de Televisão, vários profissionais da área de humor passaram a migrar para a nova emissora. Mantendo as telenovelas como principal atração, a Excelsior promoveu, sob o comando de Solano Ribeiro, o "I Festival de Música Popular Brasileira", cuja vencedora foi a cantora Elis Regina, com a música "Arrastão", autoria de Edú Lobo.
Vislumbrando o potencial de tal filão de mercado, a TV Record passou a investir pesado em programas musicais, contratando em 1966 todos os grandes valores da música brasileira.
Na Excelsior, a situação só piorava. A ordem do dia era conter despesas e reduzir ganhos. Consta que a comediante Dercy Gonçalves foi embora da emissora por não concordar com a redução que lhe fora proposta.
Os problemas se avolumavam e já em 1966 a emissora chegou a atrasar em dois meses o pagamento de seus funcionários. Durante os anos de 1967/68, a Excelsior tentou trazer alguns artistas de volta, mas não obteve sucesso, já que eles retornavam, ficavam por um tempo e depois iam embora novamente (como nos casos de Chico Anísio e Bibi Ferreira).
A Falência
A partir de 1969 instaurou-se o processo de falência da TV Excelsior. Haviam saído Edson Leite e Alberto Saad e os acionários do grupo Folha de SP, numa manobra inacreditável, devolveram para Wallinho Simonsen a concessão da rede com todos os equipamentos, todas a dívidas, mas sem os imóveis! Inacreditável... pegar de volta uma empresa com dívidas até o pescoço e quase sem condições de operar...
Mesmo sem restringir a qualidade do que era exibido, a Excelsior foi em frente. No final de 1969, a programação iniciava às 11h30. Todo seu horário vespertino era preenchido com desenhos, séries e filmes já antigos. A partir de 1970, ninguém sabia o que a emissora ia exibir até as 19h00, horário em que entrava no ar a telenovela "A Menina do Veleiro Azul".
Em março de 1970, Wallinho Simonsen vendeu a Excelsior para Dorival Masci de Abreu, na época dono da Rádio Marconi de São Paulo. O jornalista Ferreira Neto (que havia trabalhado na emissora em 1967) recebeu nessa ocasião o cargo de superintendente. Tempos depois soube-se que Abreu tinha processos por dívidas e inúmeros títulos protestados. Wallinho foi detido pela Polícia Federal, após descobrir-se que a verdadeira compradora da TV Excelsior era a mulher de Abreu, Terezinha. A Justiça Federal determinou então que o negócio fosse desfeito. Nesse meio tempo, um colegiado de funcionários da emissora decidiu que Ferreira Neto e Gonzaga Blota fossem colocados como chefes operacionais da rede.
Em abril de 1970 a Excelsior recebeu uma ação de despejo referente aos aluguéis em atraso do Teatro Cultura Artística. Nesse mesmo mês, foi lançada a Campanha da Esperança. Durante 24 horas os funcionários apelavam aos telespectadores e - principalmente - aos credores, para que os auxiliassem. Artistas de outras emissoras passaram a fazer shows beneficentes. Estima-se que a dívida da Excelsior era então da ordem de 10 milhões de dólares. O final da empresa deixaria naquela altura 400 funcionários desempregados.
Em julho de 1970 ocorreu um incêndio que dizimou três dos quatro estúdios da Vila Guilherme. A situação era cada vez pior: dívidas acumuladas, salários vencidos, perdas na justiça do trabalho, aluguéis atrasados, dívidas com distribuidoras de filmes e vários outros credores. O jornalista Ferreira Neto tomou por iniciativa conversar com o então Presidente da República Emílio G. Médici. Explicou-lhe que a Excelsior pretendia negociar uma grande área de terreno na cidade de Campos de Jordão (SP). A idéia era vender metade da área, realizar ali uma grande telenovela e vender a outra metade com a supervalorização que a novela daria para o local. Médici ficou de pensar a respeito mas nunca deu uma resposta. Ao invés disso, passados dois meses, em 28 de setembro de 1970, cassou a concessão de funcionamento das emissoras da rede. Tanto em São Paulo, como no Rio de Janeiro, a programação continuou por mais dois dias, até que funcionários do Ministério das Comunicações foram promover a retirada do cristal responsável pelas transmissões.
No dia 1 de outubro de 1970, durante o programa cômico "Adélia e suas Trapalhadas", o jornalista Ferreira Neto invadiu os estúdios às 18h40 para anunciar que, por ordem do Governo Federal, o canal 9 paulistano estava encerrando definitivamente suas atividades. Em 15 de outubro de 1970 foi decretada a falência fraudulenta da TV Excelsior.
Conclusão
Uma empresa nunca acaba por um único motivo. Na verdade, um conjunto de fatores levam uma empresa a desaparecer. No caso da Excelsior, esses fatores foram políticos, administrativos, financeiros, dentre outros. Fica evidente que a emissora tinha mentalidade criativa de sobra. Mas faltou, sobretudo, mentalidade administrativa. A diretoria mudou várias vezes, o custo de tudo era sempre muito alto e a despesa era sempre maior que a receita.
O processo de falência da Excelsior possui mais de 2 mil páginas e aponta Mário Wallace Simonsen Neto como o responsável pelo episódio. Wallinho faleceu em 2001 e pouca coisa foi resolvida. Muita gente nada recebeu até hoje. Após a cassação do canal, seus equipamentos simplesmente desapareceram. Há quem diga que muito material da Excelsior teria sido levado para a TV Gazeta de São Paulo, que na época iniciava suas atividades. Algumas publicações dizem que um caminhão de externas dessa emissora teve a logomarca raspada e - embaixo dela - apareceu a da Excelsior.
Segundo o ator Gianfrancesco Guarnieri, a TV Excelsior fez da televisão uma indústria cultural, valorizou o profissional de televisão, investiu na industrialização de telenovelas, abriu espaço para o autor brasileiro e serviu de enorme know-how para o que a Rede Globo é hoje.
Na verdade, a Globo ocupa hoje o primeiro lugar porque deu continuidade - praticamente com as mesmas pessoas - ao modelo implantado pela Excelsior. O que mais podemos dizer de uma emissora que tinha em seu time de profissionais gente jovem e com talento? Gente como Boni, Gonzaga Blota, Daniel Filho... e tantos outros.
A TV TUPI E O TV DE VANGUARDA
Tão logo deu início à sua programação, no início dos anos 50, a televisão Tupi passou a transmitir teleteatros com uma abordagem ambiciosa, realizando adaptações de clássicos da literatura universal, como Shakespeare, Górki, Arthur Miller e muitos, muitos outros. Esses teleteatros "pesados" eram exibidos um domingo sim, outro não, com o nome de TV de Vanguarda. Nos domingos intermitentes, optou-se pela produção de peças mais leves, sob o nome de TV de Comédia. Ainda assim, eram produções difíceis de serem realizadas.

Para se ter uma idéia, era como montar uma peça de teatro por semana - e não qualquer peça. Os atores tinham que decorar grandes falas e a produção ainda incipiente do início da televisão, precisava terminar cenários em tempo recorde. Mas tudo era feito num clima de grande entusiasmo, com a consciência de todos de participar de um momento especial. Havia grandes atores e atrizes, como Laura Cardoso, Fernando Balleroni, Lima Duarte, Lia de Aguiar, Jayme Barcellos, isso só para citar alguns de passagem. Walter George Durst era o intelectual daquele grupo e responsável por muitas das adaptações e direções.

O que talvez facilitasse um pouco as coisas - no sentido de agilizar as produções -, é que aqueles pioneiros, em sua grande maioria, moravam no Sumaré, o bairro onde se erguia o prédio e os estúdios das Associadas e da TV Tupi. Esse fenômeno já havia principiado na época do rádio, e com o surgimento da televisão aumentou consideravelmente o número de atores, atrizes, técnicos, músicos e diretores que migraram para aquele bairro montanhoso, procurando alugar algum imóvel nas imediações da emissora.
Isso transformou o bairro do Sumaré, no início dos anos 50, numa espécie de comunidade artística. Os artistas estavam iniciando suas carreiras e suas vidas familiares ao mesmo tempo. Os filhos deles iam crescendo em meio àquela atividade febril. Os salários modestos do início da televisão precisavam ser administrados com algum rigor e muitos se juntavam para dividir apartamentos em Santos, na época das férias das crianças. A grande vantagem é que a maioria morava a duas quadras do local de trabalho e podiam tranqüilamente fazer o trajeto à pé, ou subir as íngremes ladeiras do bairro com o auxílio de um ancestral skoda, um carrinho da era pré-fusca. Enfim, a TV Tupi galvanizava todo o bairro e não era incomum alguém deparar com uma atriz que havia se descabelado como alguma Lady Macbeth no domingo, comprando peixe na feira que atravessava a Rua Bruxelas às quartas-feiras.

Dionisio Azevedo foi uma das principais figuras daquele momento. Com seu temperamento entusiasmado, entregou-se totalmente ao trabalho, atuando como ator, roteirista-adaptador e diretor de muitos teleteatros da época. Toda a vontade de fazer cinema foi canalizada de alguma forma para aquela atividade, que era um combinado de diversas linguagens: possuía os recursos da câmera, mas as apresentações eram transmitidas em tempo real, como no teatro.
Por conta disso existe um extenso anedotário de coisas que davam errado, como cenários que não entravam, armas letais que negavam fogo no momento crucial, atores que grudavam o texto pelos cenários (essas colas eram chamadas "dálias") e algum cenotécnico desavisado retirava o adereço sem avisar, deixando o ator literalmente sem fala. Todos esses percalços precisavam ser superados com muita verve, senso de improviso e, obviamente, naturalidade. Dionisio contava sempre de uma vez que foi obrigado a contracenar com um jacaré de verdade. Trouxeram o mais velho que encontraram no zoológico, mas ao ver o rabo do bicho se agitar ele não conseguiu terminar devidamente a cena, abandonando o set e deixando o câmera-man perplexo ao enquadrar um cenário cujo único ator era precisamente o sonolento jacaré.
Mas esse lado picaresco e folclórico não deve de nenhum modo depreciar o quadro geral de uma época efervescente de entusiasmo criativo pelo veículo nascente e a seriedade com que os teleteatros eram criados. Havia uma consciência de responsabilidade cultural muito forte, no sentido de se apresentar textos da melhor qualidade, com o melhor nível possível de interpretação.
Neste sentido, um dos trabalhos mais marcantes de Dionisio Azevedo foi uma adaptação pioneira do conto de João Guimarães Rosa "A hora e a vez de Augusto Matraga". Com essa produção ambiciosa para aquele tempo, ele dava continuidade ao aprendizado feito com seu mestre Lima Barreto de pesquisar o homem brasileiro em seus vários aspectos e tentar traduzir essa complexidade em cinema ou teledramaturgia de qualidade. Fazendo a adaptação, a direção e atuando como ator, Dionisio produziu um dos momentos mais fortes do TV de Vanguarda.

Durante toda década de 1950, a realização de teleteatros na TV Tupi foi uma constante. Logo aquela fase pioneira estaria encerrada e Dionisio, que havia participado da primeira experiência com vídeo-tape, iria prosseguir seu trabalho na TV Excelsior. Mas a sua contribuição pessoal para aquele início da televisão foi extensa e marcante.
Para se ter uma idéia, era como montar uma peça de teatro por semana - e não qualquer peça. Os atores tinham que decorar grandes falas e a produção ainda incipiente do início da televisão, precisava terminar cenários em tempo recorde. Mas tudo era feito num clima de grande entusiasmo, com a consciência de todos de participar de um momento especial. Havia grandes atores e atrizes, como Laura Cardoso, Fernando Balleroni, Lima Duarte, Lia de Aguiar, Jayme Barcellos, isso só para citar alguns de passagem. Walter George Durst era o intelectual daquele grupo e responsável por muitas das adaptações e direções.
O que talvez facilitasse um pouco as coisas - no sentido de agilizar as produções -, é que aqueles pioneiros, em sua grande maioria, moravam no Sumaré, o bairro onde se erguia o prédio e os estúdios das Associadas e da TV Tupi. Esse fenômeno já havia principiado na época do rádio, e com o surgimento da televisão aumentou consideravelmente o número de atores, atrizes, técnicos, músicos e diretores que migraram para aquele bairro montanhoso, procurando alugar algum imóvel nas imediações da emissora.
Isso transformou o bairro do Sumaré, no início dos anos 50, numa espécie de comunidade artística. Os artistas estavam iniciando suas carreiras e suas vidas familiares ao mesmo tempo. Os filhos deles iam crescendo em meio àquela atividade febril. Os salários modestos do início da televisão precisavam ser administrados com algum rigor e muitos se juntavam para dividir apartamentos em Santos, na época das férias das crianças. A grande vantagem é que a maioria morava a duas quadras do local de trabalho e podiam tranqüilamente fazer o trajeto à pé, ou subir as íngremes ladeiras do bairro com o auxílio de um ancestral skoda, um carrinho da era pré-fusca. Enfim, a TV Tupi galvanizava todo o bairro e não era incomum alguém deparar com uma atriz que havia se descabelado como alguma Lady Macbeth no domingo, comprando peixe na feira que atravessava a Rua Bruxelas às quartas-feiras.
Dionisio Azevedo foi uma das principais figuras daquele momento. Com seu temperamento entusiasmado, entregou-se totalmente ao trabalho, atuando como ator, roteirista-adaptador e diretor de muitos teleteatros da época. Toda a vontade de fazer cinema foi canalizada de alguma forma para aquela atividade, que era um combinado de diversas linguagens: possuía os recursos da câmera, mas as apresentações eram transmitidas em tempo real, como no teatro.
Por conta disso existe um extenso anedotário de coisas que davam errado, como cenários que não entravam, armas letais que negavam fogo no momento crucial, atores que grudavam o texto pelos cenários (essas colas eram chamadas "dálias") e algum cenotécnico desavisado retirava o adereço sem avisar, deixando o ator literalmente sem fala. Todos esses percalços precisavam ser superados com muita verve, senso de improviso e, obviamente, naturalidade. Dionisio contava sempre de uma vez que foi obrigado a contracenar com um jacaré de verdade. Trouxeram o mais velho que encontraram no zoológico, mas ao ver o rabo do bicho se agitar ele não conseguiu terminar devidamente a cena, abandonando o set e deixando o câmera-man perplexo ao enquadrar um cenário cujo único ator era precisamente o sonolento jacaré.
Mas esse lado picaresco e folclórico não deve de nenhum modo depreciar o quadro geral de uma época efervescente de entusiasmo criativo pelo veículo nascente e a seriedade com que os teleteatros eram criados. Havia uma consciência de responsabilidade cultural muito forte, no sentido de se apresentar textos da melhor qualidade, com o melhor nível possível de interpretação.
Neste sentido, um dos trabalhos mais marcantes de Dionisio Azevedo foi uma adaptação pioneira do conto de João Guimarães Rosa "A hora e a vez de Augusto Matraga". Com essa produção ambiciosa para aquele tempo, ele dava continuidade ao aprendizado feito com seu mestre Lima Barreto de pesquisar o homem brasileiro em seus vários aspectos e tentar traduzir essa complexidade em cinema ou teledramaturgia de qualidade. Fazendo a adaptação, a direção e atuando como ator, Dionisio produziu um dos momentos mais fortes do TV de Vanguarda.
Durante toda década de 1950, a realização de teleteatros na TV Tupi foi uma constante. Logo aquela fase pioneira estaria encerrada e Dionisio, que havia participado da primeira experiência com vídeo-tape, iria prosseguir seu trabalho na TV Excelsior. Mas a sua contribuição pessoal para aquele início da televisão foi extensa e marcante.
Televisão
História
O primeiro dispositivo adequado para a obtenção das imagens foi o chamado disco Nipkow, patenteado pelo inventor alemão Paul Gottlieb Nipkow em 1884. Mas os primeiros dispositivos realmente satisfatórios foram os iconoscópios, inventado por Vladimir Kosma Zworykin em 1923, e o tubo dissector de imagens, inventado pelo engenheiro de rádio norte-americano Philo Taylor Farnsworth, pouco tempo depois. Em 1926, o engenheiro escocês John Logie Baird inventou um sistema de televisão que incorporava os raios infravermelhos para captar imagens no escuro.
Câmeras
A câmera de televisão se assemelha a uma câmera fotográfica. É equipada com uma ou várias lentes e um mecanismo de focalização da imagem formada pela lente sobre uma superfície sensível. Essas superfícies fazem parte dos chamados tubos captadores de imagem, capazes de transformar as variações da intensidade da luz em variações da carga ou corrente elétrica.
Switcher ou comutador de imagens.
Cada um dos botões tem uma finalidade específica, como:
1. Transmitir a imagem da câmera escolhida;
2. Sobrepor imagens;
3. Dar os efeitos especiais.
Por exemplo: há três câmeras e um de mais vídeos conectados ao switcher, operado por um técnico que escolhe as tomadas da câmera 1,2 ou 3do vídeo com material pré-gravado e editado. Agora vai entrar no ar uma propaganda comercial, é o switcher que dá entrada, cortando de uma câmera para outra ou para o VT do comercial.Para isso, o técnico tem vários monitores de TV, com imagens diferentes, é ele quem vai escolher a imagem que irá ser transmitida.
Microondas:
Recebem as imagens e som do swticher (sinais de vídeo e áudio) e enviam-nos ao transmissor, à antena retransmissora. Cada emissora possui sua própria antena ou aluga espaço na antena de outra emissora e instala seus transmissores.Transmissores.Os sinais que chegam pelas microondas entram no transmissor para serem transformados em sinais radioelétricos que, por meio da antena transmissora, propagam-se no espaço para serem recebidos pelos receptores. Excetuando-se os circuitos especiais necessários para produzir os pulsos de sincronismo e apagamento da varredura e os diferentes equipamentos especiais que se utilizam para examinar ou controlar os sinais a partir da câmera de televisão, todo o resto do sistema de transmissão de televisão lembra o de uma emissora de rádio de amplitude modulada (AM). O equipamento de som em nada se diferencia do utilizado nas emissões de freqüências modulada (FM).
O gerador de sincronismo é o coração da estação de TV. É um aparelho pequeno que une todos os equipamentos da estação, sincronizando-os para um funcionamento harmônico.O sinal de televisão se compõe das seguintes partes:
1.Uma série de flutuações da intensidade da luz;
2. Uma serie de pulsos de sincronismo que adaptam o receptor à mesma freqüência de varredura do transmissor;
3.Uma serie adicional dos chamados pulsos de apagamento;
4.Um sinal de freqüência modulada (FM) que transporta o som que acompanha a imagem.
Canais.
A gama de freqüências de um único sinal de televisão é de aproximadamente 4 MHz ( megahertz). Esses sinais ocupam um espaço 400 vezes maior que a gama completa de freqüências utilizada por uma estação de rádio nas emissões AM.Os sinais de alta freqüência possuem um alcance relativamente limitado, devido à curvatura da terra. A cobertura total requer muitas estações de televisão.O satélite artificial constitui outro meio de transmissão de sinais a grandes distâncias. Um repetidor de microondas a bordo do satélite retransmite o sinal para uma estação receptora terrestre.O elemento mais importante é o outro tubo de imagens, ou cinescópio, que se encarrega de converter os pulsos elétricos do sinal de televisão em feixes coerentes de elétrons que incidem sobre a tela colocada no final do tubo, produzindo luz, assim como uma imagem contínua.A televisão em cores é obtida mediante a transmissão além do sinal de brilho (ou luminância), de um outro sinal que recebe o nome de crominância, encarregando de transportar a informação em cor.As imagens de televisão são produzidas pela varredura de um feixe de elétrons que percorre a teia dos tubos das câmeras, captadoras da imagem ou tubos receptores.
Fonte:www.mundodatv.com
O primeiro dispositivo adequado para a obtenção das imagens foi o chamado disco Nipkow, patenteado pelo inventor alemão Paul Gottlieb Nipkow em 1884. Mas os primeiros dispositivos realmente satisfatórios foram os iconoscópios, inventado por Vladimir Kosma Zworykin em 1923, e o tubo dissector de imagens, inventado pelo engenheiro de rádio norte-americano Philo Taylor Farnsworth, pouco tempo depois. Em 1926, o engenheiro escocês John Logie Baird inventou um sistema de televisão que incorporava os raios infravermelhos para captar imagens no escuro.
Câmeras
A câmera de televisão se assemelha a uma câmera fotográfica. É equipada com uma ou várias lentes e um mecanismo de focalização da imagem formada pela lente sobre uma superfície sensível. Essas superfícies fazem parte dos chamados tubos captadores de imagem, capazes de transformar as variações da intensidade da luz em variações da carga ou corrente elétrica.
Switcher ou comutador de imagens.
Cada um dos botões tem uma finalidade específica, como:
1. Transmitir a imagem da câmera escolhida;
2. Sobrepor imagens;
3. Dar os efeitos especiais.
Por exemplo: há três câmeras e um de mais vídeos conectados ao switcher, operado por um técnico que escolhe as tomadas da câmera 1,2 ou 3do vídeo com material pré-gravado e editado. Agora vai entrar no ar uma propaganda comercial, é o switcher que dá entrada, cortando de uma câmera para outra ou para o VT do comercial.Para isso, o técnico tem vários monitores de TV, com imagens diferentes, é ele quem vai escolher a imagem que irá ser transmitida.
Microondas:
Recebem as imagens e som do swticher (sinais de vídeo e áudio) e enviam-nos ao transmissor, à antena retransmissora. Cada emissora possui sua própria antena ou aluga espaço na antena de outra emissora e instala seus transmissores.Transmissores.Os sinais que chegam pelas microondas entram no transmissor para serem transformados em sinais radioelétricos que, por meio da antena transmissora, propagam-se no espaço para serem recebidos pelos receptores. Excetuando-se os circuitos especiais necessários para produzir os pulsos de sincronismo e apagamento da varredura e os diferentes equipamentos especiais que se utilizam para examinar ou controlar os sinais a partir da câmera de televisão, todo o resto do sistema de transmissão de televisão lembra o de uma emissora de rádio de amplitude modulada (AM). O equipamento de som em nada se diferencia do utilizado nas emissões de freqüências modulada (FM).
O gerador de sincronismo é o coração da estação de TV. É um aparelho pequeno que une todos os equipamentos da estação, sincronizando-os para um funcionamento harmônico.O sinal de televisão se compõe das seguintes partes:
1.Uma série de flutuações da intensidade da luz;
2. Uma serie de pulsos de sincronismo que adaptam o receptor à mesma freqüência de varredura do transmissor;
3.Uma serie adicional dos chamados pulsos de apagamento;
4.Um sinal de freqüência modulada (FM) que transporta o som que acompanha a imagem.
Canais.
A gama de freqüências de um único sinal de televisão é de aproximadamente 4 MHz ( megahertz). Esses sinais ocupam um espaço 400 vezes maior que a gama completa de freqüências utilizada por uma estação de rádio nas emissões AM.Os sinais de alta freqüência possuem um alcance relativamente limitado, devido à curvatura da terra. A cobertura total requer muitas estações de televisão.O satélite artificial constitui outro meio de transmissão de sinais a grandes distâncias. Um repetidor de microondas a bordo do satélite retransmite o sinal para uma estação receptora terrestre.O elemento mais importante é o outro tubo de imagens, ou cinescópio, que se encarrega de converter os pulsos elétricos do sinal de televisão em feixes coerentes de elétrons que incidem sobre a tela colocada no final do tubo, produzindo luz, assim como uma imagem contínua.A televisão em cores é obtida mediante a transmissão além do sinal de brilho (ou luminância), de um outro sinal que recebe o nome de crominância, encarregando de transportar a informação em cor.As imagens de televisão são produzidas pela varredura de um feixe de elétrons que percorre a teia dos tubos das câmeras, captadoras da imagem ou tubos receptores.
Fonte:www.mundodatv.com
Curiosidades da TV Brasileira
Gargalhadas ao vivo
Hebe Camargo - Houve época em que tudo na televisão era feito ao vivo, até os comerciais. Certa vez, Hebe estava encarregada de alardear as maravilhas de um refrigerante que borbulhava. Para realçar o efeito, a produção jogou tabletes de Sonrisal no copo que a apresentadora tinha em mãos. Hebe não se conteve e soltou escandalosas gargalhadas. O diretor teve de tirar o som do programa até que ela voltasse ao estado normal.
Mensageiro da paz
Silvio Santos advogado - Em 1969 Robeto Carlos compareceu a TV Record para participar do programa "Quem Tem Medo da Verdade?", onde seria julgado pelo "crime" de usar cabelos compridos e roupas muito coloridas. Entre diversas acusações, um advogado de defesa muito ilustre: Silvio Santos. Silvio defendeu Roberto alegando que, desde que o cantor tinha tomado conta do brasil com suas músicas, os índices de criminalidade entre os jovens tinham caído, a juventude tinha parado para cantar as músicas do Rei e, por isso, o júri deveria absolver Roberto. Silvio convenceu o júri e Roberto foi absolvido.
Os Pioneiros na TV
A Primeira emissora
TV Tupi, canal 3 de São Paulo, em 18 de setembro de 1950.
O Primeiro programa
Logo após o discurso de Assis Chateaubriand, inaugurar a TV Tupi ( e a TV no Brasil). Entrou no ar o primeiro programa da TV Brasileira, "TV na Taba". Um programa de variedades apresentado por: Homero Silva, e com participações de: Lima Duarte, Hebe Camargo, Lolita Rodrigues (somente esses 3 estão vivos), Mazaroppi, Ivon Cury, etc...
O Primeiro telejornal
No dia seguinte a inauguração, foi ao ar pela TV Tupi, o primeiro telejornal da TV Brasileira. "Imagens do Dia", com apresentação de Rui Rezende.
Os Primeiros anunciantes
Os primeiros anunciantes da TV Brasileira, foram: Sul América seguros, Antarctica e Moinho Santista.
O Primeiro programa infantil
O primeiro programa infantil da TV foi " O Circo do Arrelia", exibido pela TV Paulista a partir de 1953.
Fonte: TV BRASIL
Hebe Camargo - Houve época em que tudo na televisão era feito ao vivo, até os comerciais. Certa vez, Hebe estava encarregada de alardear as maravilhas de um refrigerante que borbulhava. Para realçar o efeito, a produção jogou tabletes de Sonrisal no copo que a apresentadora tinha em mãos. Hebe não se conteve e soltou escandalosas gargalhadas. O diretor teve de tirar o som do programa até que ela voltasse ao estado normal.
Mensageiro da paz
Silvio Santos advogado - Em 1969 Robeto Carlos compareceu a TV Record para participar do programa "Quem Tem Medo da Verdade?", onde seria julgado pelo "crime" de usar cabelos compridos e roupas muito coloridas. Entre diversas acusações, um advogado de defesa muito ilustre: Silvio Santos. Silvio defendeu Roberto alegando que, desde que o cantor tinha tomado conta do brasil com suas músicas, os índices de criminalidade entre os jovens tinham caído, a juventude tinha parado para cantar as músicas do Rei e, por isso, o júri deveria absolver Roberto. Silvio convenceu o júri e Roberto foi absolvido.
Os Pioneiros na TV
A Primeira emissora
TV Tupi, canal 3 de São Paulo, em 18 de setembro de 1950.
O Primeiro programa
Logo após o discurso de Assis Chateaubriand, inaugurar a TV Tupi ( e a TV no Brasil). Entrou no ar o primeiro programa da TV Brasileira, "TV na Taba". Um programa de variedades apresentado por: Homero Silva, e com participações de: Lima Duarte, Hebe Camargo, Lolita Rodrigues (somente esses 3 estão vivos), Mazaroppi, Ivon Cury, etc...
O Primeiro telejornal
No dia seguinte a inauguração, foi ao ar pela TV Tupi, o primeiro telejornal da TV Brasileira. "Imagens do Dia", com apresentação de Rui Rezende.
Os Primeiros anunciantes
Os primeiros anunciantes da TV Brasileira, foram: Sul América seguros, Antarctica e Moinho Santista.
O Primeiro programa infantil
O primeiro programa infantil da TV foi " O Circo do Arrelia", exibido pela TV Paulista a partir de 1953.
Fonte: TV BRASIL
Relembre as protagonistas dos 13 anos de 'Malhação'
Fernanda Rodrigues, Priscila Fantin, Samara Felippo, Rafaela Mandelli, Juliana Silveira e Fernanda Vasconcellos são algumas das protagonistas da novela teen Malhação, da Globo, que tiveram suas carreiras alavancadas depois da participação na trama.
Veja a lista das protagonistas de Malhação:
2007 - Fiorella Mattheis, Thaila Ayala e Marcela Pereira da Silva
1998 - Cássia Linhares
Há 13 anos o público assiste, de segunda a sexta, sempre no fim da tarde, a um "teste de elenco" da Globo. Novos talentos têm a oportunidade de mostrar seu trabalho e, quem sabe, ganhar um espaço em outra produção da emissora.
Mas a novela não marca só a carreira de muitos atores. Diferentes gerações de jovens brasileiros passaram suas tardes à frente da TV compartilhando histórias polêmicas como gravidez na adolescência, amor proibido, doenças sexualmente transmissíveis, traição, perda de uma pessoa amada, entre outros.
Mas a novela não marca só a carreira de muitos atores. Diferentes gerações de jovens brasileiros passaram suas tardes à frente da TV compartilhando histórias polêmicas como gravidez na adolescência, amor proibido, doenças sexualmente transmissíveis, traição, perda de uma pessoa amada, entre outros.
Veja a lista das protagonistas de Malhação:
Sophie Charlotte é Angelina na temporada atual de Malhação. A atriz, que só tinha feito pontas em novelas, ganhou o papel após seis anos de tentativa.
Sua personagem é filha adotiva de uma funcionária do colégio e estuda com bolsa de estudos. Se apaixona pelo garoto mais popular da escola, filho de pais ricos e que tem o dom da música. Ao lado dele, descobre que também pode cantar.
O romance é atrapalhado pelas maldades da ex dele e fica ainda mais distante de ser concretizado quando ela engravida na primeira noite de sexo com outro colega.
Sua personagem é filha adotiva de uma funcionária do colégio e estuda com bolsa de estudos. Se apaixona pelo garoto mais popular da escola, filho de pais ricos e que tem o dom da música. Ao lado dele, descobre que também pode cantar.
O romance é atrapalhado pelas maldades da ex dele e fica ainda mais distante de ser concretizado quando ela engravida na primeira noite de sexo com outro colega.
2007 - Fiorella Mattheis, Thaila Ayala e Marcela Pereira da Silva
Três atrizes dividiram cena em 2007. Fiorella Mattheis, Thaila Ayala e Marcela Pereira da Silva, rostos desconhecidos do grande público, não convenceram no papel de melhores amigas de origem diferentes. A convivência da ambiciosa Vivian, com a bondosa Cecilia e a desafiadora Marcela rendeu à novela uma de suas piores audiências.
A temporada de 2006 de Malhação foi embalada por manobras radicais de skatista. A atriz Luiza Valdetaro interpretou a mocinha da história, Manuela, e foi disputada por dois garotos. Após Malhação, Luiza ganhou um papel na novela Pé na Jaca (2007).
2005 - Fernanda Vasconcellos
Fernanda Vasconcellos dividiu o papel principal de Malhação com Joana Balaguer. Essa temporada não
teve a figura clássica da vilã, mas a personagem de Joana atrapalhou o romance entre a de Fernanda com o mocinho de Thiago Rodrigues.
Jaqueline (Joana) é a melhor amiga de Betina (Fernanda) e engravida de Bernardo (Thiago). O casal principal deu tão certo que foi repetido em Páginas da Vida (2006).
Juliana Didone protagonizou a temporada de maior sucesso de Malhação. Ela foi Letícia, de família humilde, e se apaixonou pelo playboy inconseqüente Gustavo (Guilherme Berenguer). O papel na novela teen rendeu diversos outros convites, como aconteceu com Marjorie Estiano, a vilã e líder da banda do colégio, que depois protagonizou a novela das 20h Duas Caras.
2003 - Manoela do Monte
A temporada de 2003 de Malhação também não foi um sucesso. Manoela do Monte viveu a protagonista e fez par com Sérgio Marone. Nem ela e nem a história convenceram. Mas Nathália Rodrigues é lembrada pela vilã Carla, que tentava a todo o custo acabar com o romance do casal Victor e Luísa. A último novela de Manoela na Globo foi Páginas da Vida (2006).
A temporada de 2003 de Malhação também não foi um sucesso. Manoela do Monte viveu a protagonista e fez par com Sérgio Marone. Nem ela e nem a história convenceram. Mas Nathália Rodrigues é lembrada pela vilã Carla, que tentava a todo o custo acabar com o romance do casal Victor e Luísa. A último novela de Manoela na Globo foi Páginas da Vida (2006).
Juliana Silveira, que hoje é uma das atrizes mais conceituadas da Record, começou sua carreira de sucesso na nona temporada de Malhação. Ela foi Júlia e fez par com Henri Castelli (Pedro). A trama girou em torno de um tema forte: erro médico.
2001 - Rafaela Mandelli
Rafaela Mandelli se consagrou com o papel de protagonista na novela. Ela e Iran Malfitano foram uns dos casais inesquecíveis de Malhação: Nanda e Gui. A história de amor dos dois terminou em casamento. Hoje, Rafaela integra o elenco de atores da Record.
Rafaela Mandelli se consagrou com o papel de protagonista na novela. Ela e Iran Malfitano foram uns dos casais inesquecíveis de Malhação: Nanda e Gui. A história de amor dos dois terminou em casamento. Hoje, Rafaela integra o elenco de atores da Record.
2000 - Priscila Fantin e Samara Felippo
Samara Felippo e Priscila Fantin protagonizaram um ano no Colégio Múltipla Escolha. As personagens das atrizes, Tati e Érica, superam suas diferenças e tudo dá certo no final. Samara e Priscila continuam atuando em trabalhos na TV Globo.
Priscila Fantin foi a primeira protagonista da grande mudança da novela. A Academia Malhação foi substituída por um colégio, o Múltipla Escolha. Sua personagem, Tatiana, disputou o amor de Rodrigo (Mário Frias) com Érica (Samara Felippo), sua amiga de infância, agora, portadora do vírus da aids. Desde Malhação, Priscila só teve papéis de destaque na Globo, sendo três protagonistas.
1998 - Cássia Linhares
Cássia Linhares interpretou Alice no Malhação.com, que propunha interatividade com o público. Ela fez par romântico com Rodrigo Faro, mas André Marques (o Mocotó) era quem roubava a cena. Hoje ela faz parte do casting da Record e está grávida do primeiro filho.
1997 - Daniela Pessoa
Daniela Pessoa interpretou Magali no terceiro ano de Malhação e disputou o amor de Vudu (Pedro Vasconcellos) com Lorão (Luana Piovani). A atriz deixou a trama devido a uma gravidez e se afastou da TV para se dedicar ao filho. Voltou em O Profeta com um papel pequeno.
1996 - Fernanda Rodrigues
Fernanda Rodrigues é uma das protagonistas de Malhação mais lembradas. Todos torceram pelo romance de sua personagem Luiza e Dado (Cláudio Heinrich), o professor de judô que a via como uma criança na primeira temporada. Fernanda continua na Globo e fez Gisele na novela O Profeta (2007).
1995 - Juliana Martins
Juliana Martins viveu a primeira protagonista de Malhação. A academia foi cenário para o amor de sua personagem, a bailarina Isabella, e Héricles, um rapaz do interior interpretado por Danton Mello. Juliana não conseguiu grandes papéis de destaque na TV após Malhação, sendo sua última participação na TV em Caminhos do Coração, da Record.
Curiosidades das novelas no Brasil
* O personagem Zeca Diabo, vivido por Lima Duarte, era para permanecer apenas cinco capítulos em O Bem-Amado. Mas o personagem ficou na trama, matou Odorico Paraguaçu e inaugurou o cemitério de Sucupira.
* A novela mais antiga do mundo é a americana The Guiding Light, do canal CBS. Ela foi criada no rádio em 1937 e permanece na tevê desde 1952.
* A primeira história contada na tevê brasileira foi A Vida Por um Fio, em novembro de 1950, dois meses após a inauguração da pioneira TV Tupi de São Paulo. Era uma adaptação de Cassiano Gabus Mendes para o filme americano Sorry, Wrong Number.
* A novela A Deusa Vencida, exibida pela TV Excelsior em 1965, é considerada a primeira superprodução do gênero. A trama era de Ivani Ribeiro e marcou a estréia de Regina Duarte.
* A primeira novela com texto totalmente brasileiro para a tevê foi Ambição, de Ivani Ribeiro. Exibida em 1964 na TV Excelsior, a trama focalizava uma moça pobre que desejava ascender socialmente.
* As primeiras novelas da Globo foram Ilusões Perdidas, de Ênia Petri, e Rosinha do Sobrado, de Moysés Weltman, ambas exibidas em 1965.
* Para tentar "salvar" a novela Anastácia, A Mulher Sem Destino, em 1967, a Globo pediu "socorro" para Janete Clair. O autor Emiliano Queiroz não sabia mais como conduzir a trama e a autora solucionou o problema provocando um terremoto na ilha onde se passava a novela e eliminando a maioria dos personagens.
* Dona Maroca, vivida por Maria Aparecida Baxter, foi fulminada por um infarto em Redenção. Mas o autor Raimundo Lopes teve de "ressuscitar" a personagem após a audiência diminuir. Com isso, o Doutor Fernando Silveira, interpretado por Francisco Cuoco, realizou o primeiro transplante de coração bem-sucedido do mundo.
* Irmãos Coragem foi a maior novela escrita por Janete Clair. Exatos 328 capítulos, sendo a quarta maior do gênero no Brasil.
* A Globo comemorou, em 1975, dez anos de produção de novelas e cinco na liderança da audiência com Gabriela, a primeira grande adaptação literária da emissora.
* Saramandaia, de Dias Gomes, introduziu o realismo-fantástico em 1976 na teledramaturgia brasileira, com personagens como João Gibão, Dona Redonda e Zico Rosado.
* O Casarão, exibida na Globo, foi uma das poucas histórias da telenovela brasileira narrada de forma não-linear. A trama se desenrolava simultaneamente em 1900, 1926 e 1976.
* Estúpido Cupido, de Mário Prata, foi a última novela em preto e branco no horário das 19 horas da Globo. Mas os dois últimos capítulos foram exibidos em cores, para mostrar o paradeiro dos personagens em 1977, quando acabava a novela.
* Dias Gomes estreou na Globo ao assumir A Ponte dos Suspiros, em 1969, com o pseudônimo de Stela Calderón. Foi a última novela supervisionada por Glória Magadan na Globo. A cubana foi dispensada da emissora e encerrou a sua carreira de autora no Brasil com o fracasso E Nós Aonde Vamos?, na TV Tupi, em 1970.
Canal Zap
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Globo: “Por Toda a Minha Vida” mostra a vida de Chacrinha
A Rede Globo apresenta nesta quinta (24/7) o programa “Por Toda a Minha Vida” sobre a carreira do apresentador Abelardo “Chacrinha” Barbosa, campeão de audiência e responsável pelo sucesso de diversas marchinhas e frases como “Eu vim para confundir, e não para explicar”.
“Por Toda a Minha Vida” vai ao ar quinta, às 23h30min, na Globo.
Livro “Rede Manchete: aconteceu virou história”
Não deixe de ler este ótimo livro de Elmo Francfort que, através de um grande trabalho de pesquisa, reuniu imagens e textos raros, além de entrevistas e depoimentos com diversos personagens importantes da história dessa TV que deixou saudades.“[...] A Manchete deixou bem claro na história da televisão que aqui esteve para se transformar em uma grife de televisão de qualidade, de credibilidade, profissionalismo, capricho, criatividade e ousadia. Esteve na busca eterna de seus ideais, na superação dos limites e também acabou abusando, como poderão ver neste livro. Promoveu a cultura e o debate em suas coberturas, mas passou da mais tecnológica emissora do país à que precisava mais urgentemente da renovação dos seus equipamentos. Foi um cometa que passou pela história [...]” Elmo Francfort
TV TUPI: UMA LINDA HISTORIA DE AMOR

RESENHA
"Começo aqui um momento gostoso de minha vida. Vou passar para o papel, com todo o meu amor, a história da implantação da televisão no Brasil. E isso é importante para mim e também para você que me lê. Por quê? Respondo com segurança: Porque nem eu nem você sabemos viver sem televisão e temos curiosidade sobre ela... ...Quem, como eu, carrega dentro de si essa história quase desde o começo da carreira profissional, ao colocá-la para fora o faz com sofreguidão, com entusiasmo. Aliás, para mim, que nos últimos 12 anos só faço tentar registrar a memória da televisão, como presidente da Pró-TV, falar e escrever sobre isso não é apenas dever. É missão. É prazer. É amor." [Vida Alves]
quarta-feira, 23 de julho de 2008
DERCY GONÇALVES - Humorista e Atriz

Faleceu a atriz e Humorista Dercy Gonçalves com 101 anos, às 16h45, no dia 19 de julho de 2008, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Dercy Gonçalves, nome artístico de Dolores Gonçalves Costa (Santa Maria Madalena, 23 de junho de 1907 - Rio de Janeiro, 19 de julho de 2008) foi uma atriz brasileira, oriunda do teatro de revista e notória por suas participações na produção cinematográfica brasileira das décadas de 1950 e 60.Dercy Gonçalves é famosa por suas entrevistas irreverentes, pelo seu bom humor e pelo uso constante de palavras de baixo calão. É a maior expoente do teatro de improviso no Brasil.
Biografia
Nasceu no interior do estado do Rio de Janeiro, filha de um alfaiate. Sua mãe, chamada Margarida, abandonou o lar, quando descobriu a infidelidade do esposo. A família era muito pobre, e Dercy trabalhava desde muito nova. Foi bilheteira de cinema, além de apresentar-se para hóspedes de hotel em sua cidade.Dercy estreou em 1929, em Leopoldina, integrando o elenco da Companhia Maria Castro. Fazendo teatro itinerante, fez dupla com Eugênio Pascoal em 1930, com quem se apresentou por cidades do interior de alguns estados, sob o nome de "Os Pascoalinos".Já especializando-se na comédia e no improviso, participou do auge do Teatro de revista brasileiro, nos anos 30 e 40, estrelando algumas delas, como "Rei Momo na Guerra", em 1943, de autoria de Freire Júnior e Assis Valente, na companhia do empresário Walter Pinto.A partir da década de 60, Dercy inicia espetáculos em solitário. As apresentações, feitas em teatros de todo o país, conquistam um público ainda cheio de moralismos. Nesses espetáculos aos poucos introduziu um monólogo no qual contava fatos autobiográficos de sua vida. Ao largo dessas apresentações, atuou, desde o início na Revista, em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais.Na televisão, chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior em 1963, onde também conheceu o executivo Boni. Depois passou para a TV Rio e já na TV Globo, convenceu Boni a trabalhar na emissora, junto de Walter Clark. De 1966-1969 apresentou na TV Globo um programa de auditório de muito sucesso, Dercy de Verdade (1966-1969), que acabou saindo do ar com o início da Censura no país. No final dos anos 80, quando a censura permitiu maior liberalismo na programação, Dercy passou a integrar corpos de jurados em programas populares, como em alguns apresentados por Sílvio Santos, e até aparições em telenovelas da Rede Globo. No SBT voltou a experimentar um programa próprio que, entretanto, teve curtíssima duração.
Sua carreira foi pautada no individualismo, tendo sofrido, já idosa, um desfalque nas economias por parte de um empresário inescrupuloso - o que a fez retomar a carreira, já octogenária.Recebeu, em 1985, o Troféu Mambembe, numa categoria criada especificamente para homenageá-la: Melhor Personagem de Teatro.Em 1991, foi enredo ("Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o retrato de um povo") do desfile da Unidos do Viradouro, na primeira apresentação da escola no Grupo Especial das escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Na ocasião, Dercy causou polêmica ao desfilar, no último carro, com os seios à mostra.Sua biografia se intitula Dercy de Cabo a Rabo (1994), e foi escrita por Maria Adelaide Amaral.Em 4 de setembro de 2006, aos 99 anos, recebeu o título de cidadã honorária da cidade de São Paulo, concedido pela câmara de vereadores desta capital.
Cem anosNo dia 23 de junho de 2007, Dercy Gonçalves completou cem anos com uma festa na praça General Brás, no centro do município de Santa Maria Madalena (sua cidade natal) na região serrana do Rio de Janeiro. Na festa, Dercy comeu bolo, levantou as pernas fazendo graça para os fotógrafos, falou palavrão e saudou o povo, que parou para acompanhar a comemoração. Embora oficialmente tenha completado cem anos, Dercy afirma que seu pai a registrou com dois anos de atraso, logo teria completado 102 anos de idade.Morreu com 101 anos, às 16h45, no dia 19 de julho de 2008, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Filmografia
2000 - Célia & Rosita (curtametragem)
1993 - Oceano Atlantis
1983 - O Menino Arco-Íris
1980 - Bububu no Bobobó
1970 - Se Meu Dólar Falasse
1963 - Sonhando com Milhões
1960 - Com Minha Sogra em Paquetá
1960 - Dona Violante Miranda (Violante Miranda)
1960 - Só Naquela Base
1960 - A Viúva Valentina (Valentina)
1959 - Entrei de gaiato(Anastácia da Emancipação)
1959 - Minervina Vem Aí (Minervina)
1959 - Cala a Boca, Etelvina (Etelvina)
1958 - A Grande Vedete (Janete)
1958 - Uma certa Lucrécia (Lucrécia)
1957 - Absolutamente Certo (Bela)
1957 - A Baronesa Transviada (Gonçalina / Baronesa)
1957 - Feitiço do Amazonas
1956 - Depois Eu Conto
1948 - Folias Cariocas
1946 - Caídos do Céu (Rita Naftalina)
1944 - Abacaxi Azul
1944 - Romance Proibido (Dercy)
1943 - Samba em Berlim
Televisão
2001 A Praça é Nossa - participações como ela mesma (SBT)
2000 Fala Dercy (SBT)
1996 Sai de Baixo - Mãe de Vavá e Cassandra (participação especial) (Globo)
1996 Caça Talentos - Miss Dayse (Globo)
1992 Deus nos Acuda - Celestina (Globo)
1994 Brasil Especial (Globo) 1990 La Mamma - Mamma (Globo)
1989 Que Rei Sou Eu? - Baronesa Eknésia (participação especial)
1984 Humor Livre (Globo) 1980 Dulcinéa vai à guerra - Dulcinéa (Rede Bandeirantes)
1980 Cavalo Amarelo - Dulcinéa (Rede Bandeirantes - Troféu Imprensa de Melhor Atriz, empate com Dina Sfat)
1971 Família Trapo - participação como a namorada de Bronco (Record)
1971 Dercy em Famlia - programa de variedades (Record)
1968 Dercy de Verdade - programa de variedades (Globo)
1966 Dercy Espetacular - programa de variedades (Globo)
Frases célebres
Quem me criou foi o tempo, foi o ar. Ninguém me criou. Aprendi como as galinhas, ciscando, o que não me fazia sofrer eu achava bom .
Só vou morrer quando EU quiser., dita aos 95 anos.
Sou famosa, sou grande, sendo pequena
O Museu é para mostrar quem eu fui, quem desejei ser, quem sou .
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